Psicodália

Coube tudo na malinha de mão do meu coração.

Não haveria post melhor para voltar do que falar sobre o Psicodália.

Esse mundo paralelo que acontece por seis dias em Rio Negrinho-SC.

Absolutamente tudo que você imagina que há de bom no mundo acontece lá.

Em todos os setores possíveis: cuidado e respeito com a natureza, gestão de resíduos, música fina, gente educada, cooperação e muito muito AMOR.

É um grande espaço no qual as pessoas se amam. Entram na mesma sintonia que tem um só fim: ser feliz. Ser plenamente feliz.

Fui inteira por todos os dias. Senti as pessoas sendo inteiras, por todos os dias.

Vi a Elza Soares ser ainda mais Viva. A grande senhora do fim do mundo.

Vi o Nação Zumbi ficar enlouquecido com a loucura que levantava do chão.

Vi John Kay e Stenpenwoolf pararem e assistirem seis mil doidos cantarem “Born to be wild”.

Vi a Terra Celta unir corações e vibrar na mesma frequência que Gaia.

Vi tantas bandas darem o melhor de si, que entendi que a energia do Dália reverbera.

Em tudo e em todos. É impossível não se sentir tocado pelo sensibilidade desse festival.

Se o mundo é minha casa, minha varanda de emoções é o Psicodália.

<3

 

 

 

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Serendipity

O tempo não pára, não passa, não pára, não passará.
 
Nos meses que separam as últimas linhas aqui escritas, há uma única certeza. O tempo não existe.Sim, é relativo. É único. É o agora. 
Em fevereiro era Portugal. Era intercâmbio. Era vida que se vivia todo dia, toda hora. 
 
Ahhh se esse tal de tempo existisse estaria eu desconfiada de que tudo passou tão rápido e intenso como qualquer relação/fato do maravilhoso mundo da Mobilidade. 
 
Voltar é um assunto tão delicado e controverso que nem que juntássemos todos nós, moradores do mundo, e relatássemos como foi voltar ao habitat natural, nem assim, chegaríamos perto de um mínimo consenso. 
Não há regras, não há como definir a tal “depressão pós-intercâmbio”. Tem gente que chora, tem gente que ri, tem gente que bebe, tem gente que come, tem gente que fuma, tem gente que se isola, tem também gente que se junta. <3

 
Tem gente que se entrega. Pois não é de se entregar o viver?
 

E aí vem a reflexão. Aí vem o entender. ACEITAR. A imprescidibilidade do intercâmbio está aqui. Em se (RE)conhecer. Ainda que seja, a priori, assustador reconhecer-se como parte deste fantástico mundo de Bob chamado Curitiba.

O último dia de Porto foi reservado para gravar na costela a palavra que norteou toda essa loucura (chamada vida). Serendipity. O dom de encontrar as boas coisas sem estar “procurando por elas”. O acaso favorece às mentes preparadas. E ainda que eu passasse horas (em vão) tentando descrever tudo que isso significa, existiu alguém no mundo que o fez com a nobreza devida. Hermann Hesse, em Sidarta, define:

 
 
E sem meta assim me vou. Encontrando a cada esquina o suave sabor de viver.
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Gramática da Vida

“Sabe filho, as vezes eu penso como teria sido se eu tivesse largado a faculdade no quarto ano e tivesse ido fazer intercâmbio. Fico pensando como seria escolher as faculdades e achar a cidade perfeita. Como seria chegar e perder-me mil vezes e encontrar-me mil e uma. Se eu tivesse ido, eu teria feito mais uma família? 

Se eu fosse para Portugal eu me apaixonaria por um país sofrido e maravilhosamente lindo? Eu amaria as padarias, o Pingo Doce, a Galeria de Paris, eu amaria até a ESN? Eu faria um “Como se fosse a primeira vez” com a Ribeira todas as segundas? 

Se eu tivesse parado tudo e tivesse caído no mundo, eu ia rir até doer todos os dias por um ano? Eu ia fazer filosofia barata e faria um balde virar um ‘the whole world’ de ideias? 

Se eu tivesse ido, eu ia querer viajar. Muito. Mesmo se eu não tivesse dinheiro. Eu ia querer ver castelo em Guimarães, show de jazz em Barcelona, correr (literalmente) pelos caminhos de Santiago de Compostela. Eu iria cantar “Corinthians Campeão” nas ruas do Algarve naquele título paulista de 2013. 

Ah filho, seria tão legal se algum amigo do Brasil fosse visitar. Tia Pati teria ido. Teria vencido a “cidade invicta do Porto”. Tia Keka aposto que ia levar cachaça mineira e doce de leite e teria selado mais que nunca a amizade que nasceu no choro da Oktober.

Se eu fosse pra Europa eu teria mochilado. Iria para a Turquia! Levaria um tapa da vida na cara que faria ser diferente pra sempre. Dançaria, sem saber dançar, mas porque saberia sorrir. Queria ir pra Croácia e Montenegro, por os pés para o alto e respirar, pensar, rezar. 

Eu ia querer experimentar couchsurfing. Em Istanbul, Praga, Budapeste, Berlim. Visitaria (novos) velhos amigos em Dublin e Londres. Fecharia a irmandade em Edimburgo.

Se eu tivesse feito intercâmbio, eu pegaria carona? Ainda que fosse numa estrada vazia à meia noite na Alemanha? Eu dormiria na rua? Seria confundida com homeless e diria “não, obrigada, não quero comida e nem dinheiro”. Porque será que as pessoas iriam fazer esse bem, só pelo bem? E depois disso, eu iria passar o ano novo dos meus sonhos em Berlim? 

Eu ia querer ir pro Marrocos. Acho que eu veria que existe todo um outro mundo. E eu pensaria mais que nunca, o quanto ainda vale ficar  na luta. Iria dançar no deserto!!! Escutaria e mais, eu cantaria, MUITO alto em cima das dunas que “em cada canto eu vejo o lado bom.” 

Acho que seria diferente filho, acho que eu teria muito mais histórias pra te contar. Você teria muito mais “tios e tias” que você poderia contar tanto quanto pode contar comigo. Talvez por essa escolha, você não tivesse playstation ou barbie do ano, mas você já nasceria com um pouquinho de vários lugares do mundo dentro de você.”

E aí eu acordei na minha casa do Porto. E não tinha sido um sonho.

Porque na minha vida eu transformei o futuro do pretérito para o pretérito PERFEITO. 

Eu fui, eu fiz, eu vivi.

 

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R evol ution

“INCENSO FOSSE MÚSICA 
isso de querer ser 
exatamente aquilo 
que a gente é 
ainda vai 
nos levar além”

Paulo Leminski

O intercâmbio é uma quebra. Naquilo tudo que você vinha fazendo, seja faculdade, escola, trabalho no escritório. Ele é um corte na lineariedade de uma vida programada. Não ouso falar que sei o que o Leminski quis dizer. Mas para mim, no que eu acredito como significado, o intercâmbio foi a perfeita tradução desse poema. 

Depois de toda a economia, com a tal filosofia da banana, rolou a viagem para a França. E que rendeu muito além do que uma simples visita num país desconhecido. Rendeu, mais do que um turismo e mais um lugar riscado no mapa, uma verdadeira análise sobre tudo que aconteceu esse ano. 

Hospedada na residência universitária da Jé, com uma vista do quarto tão maravilhosa quanto ela, tive (mos) a oportunidade de (re) pensar em tudo que passamos nesse intercâmbio. Palestramos horas e horas sobre como estar fora da zona de conforto nos faz mudar, mudar de novo e por fim, mudar definitivo (sabendo que na realidade não existe mais um definitivo).

Passamos por um primeiro intercâmbio juntas. Na Califórnia sofremos com a falta de casa, de emprego, de dinheiro. Tivémos muito mais dificuldade e incerteza. Podíamos ter viajado mais, conhecido mais pessoas, arriscado. Mas, mais do que falarmos sobre o que poderíamos ter feito mais, chegamos a conclusão do quanto aprendemos. 

Saiu um filme. No qual o roteiro era sobre como conseguimos agir de modo diferente e que pretendia corrigir tudo o que consideramos de “errado” do intercâmbio passado. Falamos sobre cada vez que fomos mimadas e que nos fizeram ter muito mais paciência e tolerância dessa vez. Lembramos de como havíamos trocado muitas viagens por peças de roupa ou qualquer coisa que simplesmente se estragou/perdeu/queimou/quebrou e então vimos o quanto nesse intercâmbio não temos quase nada disso mas temos muitas fotos (especialmente gravadas nos olhos) de todos os lugares que passamos. 

Percebemos que a ‘estrada vai além do que se vê’. Mudamos. E mudamos para ser exatamente aquilo que a gente é. 

Copa, dinheiro, faculdade, trabalho, sociedade, música, amor. Numa roda de brasileiros, discutimos tudo. E então acontece aquele momento no qual nos (re)conhecemos. Aqueles que você nunca tinha visto na vida. Aqueles que você já conhece a uma vida. E todos com o mesmo pensamento. 

Aí amigo, você vê que não tá sozinho. No seu barco, na sua luta, tem muita gente. Só é preciso conectar. Mais, é preciso confiar. E então, quando você vê o poder da internet, de fazer simples textos nos blogs serem compartilhados, comentados, encaminhados, você percebe o quanto essa rede do bem pode funcionar. 

E aí de novo amigo, você pensa no quanto é preciso confiar nas pessoas “em carne e osso” como confiamos naqueles que estão atrás da tela. Então se você, generosamente conta a sua história de vida, você também pode dar carona a um estranho, você pode abrir a sua casa para o couchsurfing. Porque se pensar é a mesma coisa. É essa mesma troca que acontece. 

O aeroporto era distante 1h30min da casa da minha amiga. Fui de carona. Com um português que mora na França há 20 anos e já viajou pra diversos lugares do mundo. Escutei durante o trajeto histórias, ponto de vista sobre a crise, sobre a Copa no Brasil. Fiz exatamente o que fiz aqui lendo os comentários, troquei experiências. Além disso, ainda economizei numa passagem de trem, que era cara e que provavelmente eu iria dormindo ou com fone de ouvido. 

Eu sei, você talvez tenha pensado “mas e se me roubarem? e se o cara não for um sujeito legal? e blá blá”. Sim, isso tudo pode acontecer. Mas também pode acontecer de você ser atropelado, cair na calçada ou ser atingido por um raio. O que não dá para acontecer é a gente deixar de viver por conta de uma presunção de que as coisas ruins vão acontecer. Esse intercâmbio foi ideal para isso. Pra largar o comodismo e confiar no mundo. Frase repetida muitos dias na França: “As coisas vão dar certo”. Não sei da onde tiramos essa certeza. Só sei que ela existe pelo simples fato de que a gente QUER que ela exista. 

E aí você está voltando para casa, não fala francês, e descobre que o ônibus que chega no aeroporto não está funcionando naquele dia. E que a cidade é vazia. Mas você tem a certeza. E então em menos de dois minutos você olha um menino de mochila que deve estar querendo ir pro aeroporto. Aí você fala em inglês com ele que nasceu no Equador, cresceu na Itália, está fazendo Erasmus em Portugal e que no momento está ali, perdido com você na França. E não demora e surgem mais dois portugueses e vocês racham um táxi pagando quase o mesmo. Não houve tempo de desespero, porque de algum modo, alguém ia ajudar. Porque a gente estava permitindo que nos ajudassem. 

Pra terminar, quando pousamos, o piloto da Ryanair – companhia na qual é comum os pilotos elaborarem discursos quando o avião aterrisa – desejou um feliz natal, ano novo e encerrou “E não esqueçam, amor é muito mais do que o dinheiro”. 

Porque, de novo, isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além

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Filosofia da (e) Banana

        Informação nutricional: Quantidade por 100 gramas. Calorias: 89 Lipídio: 0,3g Sódio: 1mg

  • Final de intercâmbio exige trocas. É a hora de decidir o que ainda precisa ser feito, o que não vai ser dessa vez, quando, como, onde. Pra isso é preciso escolher. Substituir. Trocar. Reutilizar. Reciclar. Então é preciso apertar o orçamento que já era curto. E aí, meu amigo, é o verdadeiro espírito do Vale Tudo. O que antes parecia ser inacreditável se torna um hábito.

        Ir ao mercado é uma história à parte. Inicialmente é  a busca pelo Zero. 0,99 – 0,47 – 0,58. Tudo que estiver a menos de 1 euro merece ser notado. A partir disso, a (falta de) escolha passa ser a quantidade. UMA lata de atum custa 0,79 e a DÚZIA de ovos custa 0,80, então brother esse é o momento em que você esquece gosto e preferência. Porque a lógica é: Atum – 2 refeições e Ovos – 12.

      Sim. Eu não errei, atum são duas. Porque no final do intercâmbio não existe mais um inteiro. É meia lata, meia banana, meia maçã, meio iogurte. Parece exagero. Parece desnecessário. Mas é isso ou aquela passagem praquele lugar que você tanto quer conhecer. E, nesse caso, cada um faz as suas trocas. As minhas tão pra isso. Viagem.  

     E o irônico é que, no fim, na viagem você também vai passar aperto. Você não vai conhecer aqueles 100 pontos turísticos que tão no roteiro que vende na livraria do shopping. Você não vai em restaurante, em passeio com guia, em ônibus colorido que dá o rolê pela cidade. E aí vem a magia… Porque aí surge a maior descoberta dessa mobilidade pelo mundo. Viajar sem dinheiro é conhecer o outro lado.

     É VER/OUVIR/SENTIR o outro lado. Pois, pra você – o viajante sem dinheiro, não existe informação pronta. Não existe alguém te deixando na porta do hotel, te indicando o lugar pra comer e te passando mil curiosidades. Isso tem que vir de ti. O conhecimento do lugar é você quem descobre. É você que está atento na rua procurando um lugar com comida típica e preço acessível e justo. É você que senta a tarde no parque e observa o que a população local gosta de fazer. É você quem busca saber porque o monumento é tá aqui e não lá.

    Depois de 9 meses parece que se pega o jeito, se acostuma, e a economia se incorpora. E até é repassada. Certa ou errada, a verdade é que a Filosofia da Banana pega. E quem chegou por agora entra no clima das metades. Com bom humor, nota-se que o peso sai e que na manhã seguinte todos os cachos estão cortados. As coisas se reinventam, as habilidades culinárias se multiplicam, e agora até sai queijo cottage – que no fim virou ricota – caseiro! O arroz vai de risotto à torta, o grão de bico de salada à massa de empadão, e a regra da brincadeira é: enquanto o armário tem coisa, não existe mercado.

  No fim, mais do que isso, fica uma questão na minha cabeça. É se toda essa economia que nós estamos fazendo é de fato uma economia, ou se nós –  e eu digo todos nós, inclusive você que leu até aqui – não estávamos consumindo muito, mas muito mais do que precisávamos. A fruta sempre foi inteira na minha casa e provavelmente na sua também. Mas se eu dividir, assim como você, talvez as outras metades cheguem a quem esteve acostumado sempre com o zero. 

 

 

 

 
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Texto do blog http://vagabundoprofissional.com/2013/05/22/homens-namorem-as-mulheres-que-viajam/ 

Porque é absolutamente uma gracinha!

Namore uma garota que viaja.

Namore uma garota que viaja. Uma garota que prefira gastar seu dinheiro numa viagem no final de semana, uma viagem bate e volta que seja a torrar numa promoção do shopping. Ela anda com calçados confortáveis, pois nunca sabe qual distância ela irá andar aquele dia, afinal, ela não reconhece as distâncias como barreiras na vida.

Foto: Ricardo Cardoso/Arquivo Pessoal

Ela estará no aeroporto com um mochilão no próximo final de semana, ou em shows de bandas que você nunca ouviu falar “porque conheci eles a um ano atrás, viajando”.

Ela carrega na bolsa lembranças de vários lugares diferentes, e sempre tem um lanchinho ou uma garrafa d’agua dentro dela, pois vai que ela não volta pra casa naquele dia? É marcada em mil fotos diferentes, de pessoas que moram bem longe dela, coleciona presentinhos que ganhou dos amigos que conheceu pela estrada, tem planos para viajar pelos próximos 5 anos para rever todos que teve que deixar pelo caminho. Encontra pessoas no meio da rua em um lugar bem longe onde jamais você conheceria alguém, e você verá que do outro lado do mundo tem alguém que a olha com o mesmo sorriso bobo que você faz quando a vê.

Ela não será a pessoa mais bem vestida por aí, porém a pele queimada de sol e o corpo com os músculos naturalmente desenhados de tantos dias nas montanhas combinadas com brincos sul americanos, uma mochila espanhola e sapatos da ásia farão uma combinação de estilo tão único, tão vibrante, que você já saberá alguma coisa sobre ela antes mesmo de perguntar seu nome. Não jogue com ela, não diga que ela é linda, pergunte de onde vem essa camiseta que ela veste, escute-a, veja a simplicidade da resposta e não se preocupe: você viajará com os “causos” delas antes mesmo que perceba isso.

Ela lê livros de viagens, escuta Eddie Vedder na estrada, sabe nome de lugares maravilhosos os quais você nunca havia ouvido falar antes. Fala com uma paixão sobre os lugares que é impossível não ter vontade de pedir demissão do trabalho amanhã e colocar a mochila nas costas e ela do lado. Muitas vezes vai te surpreender resolvendo coisas de um jeito totalmente novo, dizendo quando vir sua cara de espanto “é que uma vez quando eu estava viajando, aconteceu algo assim e…”. Ela vai querer te levar em todos os lugares em que esteve sozinha, e pensou como seria bom se estivesse acompanhada, vai fazer uma lista com você de “coisas para se viver esse ano”, vai completar com toda certeza, vai trazer cenários de filmes para sua vida, vai te fazer acreditar passar a noite num saco de dormir com o céu estrelado te faz sentir muito mais especial que qualquer quarto de hotel estrelado.

Foto: Ricardo Cardoso/Arquivo Pessoal

Namore uma garota que viaja porque ela ama a vida. Ela não tem tempo para picuinhas, sabe que a vida voa, e que é melhor amarmos agora, na maior da intensidades, porque nunca se sabe que curso a vida tomará amanhã. Você pode ir embora, se apaixonar por outro lugar, por outra vida, que não a inclua. Ela pode reclamar, mas sabe bem que isso acontece. Vai vibrar com suas conquistas que te levem pra longe dela, pois sabe o prazer que o desconhecido causa, e sabe também que as distâncias jamais levam as pessoas que amamos de verdade de nós, pelo contrário, as fixam que nem tatuagem. Não tem muitas coisas materiais, sabe que roupas desnecessárias na mala significam um problema de coluna por peso, passa dias e dias apenas com algumas peças, e continua linda se ver: ela se veste dela mesmo, e não há como bater isso.

Não siga padrões com ela. Não faça nada que envolva muito dinheiro com ela. Escolha o caminho mais bonito da cidade para atravessar a cidade do trabalho dela até a sua casa, ou até o restaurante de comida peruana mais próximo, preste atenção nos comentários que ela fizer sobre as coisas no caminho. Uma garota que viaja tem um olhar aguçado de uma criança, vai te fazer reparar numa planta florida, num grafiti fantástico que você nunca reparou, num anúncio colado no ponto de ônibus de um show interessante, vai definir os lugares pelos cheiros agradáveis no ar: “Roma tem cheiro de pizza, que nem esse cheiro agora”. Tudo coisas que de dentro de um carro importado com o ar condicionado ligado, não aconteceria.

Você viverá o momento presente como nunca. Ela te chamará atenção para tudo que está a sua volta, e não na briga que tiveram ontem. Ela vai ser a trilha sonora da tua vida.

Foto: Ricardo Cardoso/Arquivo Pessoal

A garota que viaja sabe te ouvir. Já ouviu muita gente do mundo inteiro, e o que alegrava os dias mochileiros dela era justamente se inserir nas histórias de tão longe. Ela repara o que ninguém repara no que você fala, só você havia prestado atenção nisso. Ela te ajuda sem esperar o retorno imediato, sabe como é essa vida, já foi ajudada inúmeras vezes na estrada sem que a pessoa pedisse um tostão de volta, e voltou para casa certa de fazer tudo diferente, pois sabe o quanto isso pode significar na vida da outra pessoa. Ela não liga para coisas pequenas como datas e presentes, ela liga para o quanto você andou para encontrá-la, o que você prestou atenção das coisas que ela te disse para mandar uma mensagem no celular dizendo “tá tocando aquela música que você disse ser a música de Cuzco. Saudades!” e provavelmente a resposta será: “Escutaremos ela de novo, lá”.

De repente, sua vida tomará um ritmo acelerado, cheio de novidades. Porém não descuide: traga novidades para a vida dela também, mantenha a curiosidade dela sempre acesa. É indispensável que fique na sua cabeça que estamos falando de uma menina apaixonada pela vida. Logo, não corte suas asas. Ela vai, caso você não possa ir. Ela volta, porque você é o motivo para ela se lembrar do caminho de volta. Acompanhe-a sempre que puder, e não espere para propor qualquer programa para ela, por mais louco que julgue ser. Ela vai sorrir e bolar várias coisas a mais para complementar o plano de vocês, e vai se encantar com sua energia. Ela sabe se encantar pelas coisas boas da vida, seja uma delas! Então juro: não há o menor risco de se arrepender.

Casamento é algo que assusta a maioria das garotas viajantes, mas no fundo é o que mais elas querem: alguém que elas possam rir tomando “uns bons drinks” relembrando as histórias de 1, 2, 8 anos atrás, alguém que tope uma casinha simples num lugar paradisíaco, e mesmo que você não faça a linha radical, que tire as fotos do rafting que ela estava louca para fazer, e a ajude a contar depois para os outros como foi a loucura, com a mesma empolgação. É, você vai se empolgar. Ela vai te propor um casamento numa montanha, com o Sol nascendo, ou na fazenda de um dos seus amigos, só com aquelas 50 pessoas que com toda certeza irão. Seja lá o que for, vai ser incomum, impensado como ela é, impensável, imprevisível. E a lua de mel, não espere menos que um mochilão! Menos dinheiro em cada lugar, mais lugares no itinerário, vários passeios e comidas curiosas encontradas pelo caminho que não são oferecidas pelas agências de viagens. Aliás, agência o que?

A menina que viaja não tem medo da idade, não tem medo das responsabilidades, das obrigações: ela já viu inúmeras soluções para cada caso por aí, já tem tudo montado na cabeça. A família de vocês vai ter um conhecimento de mundo incrível. Seus filhos vao saber o valor de cada refeição que tem, de cada teto que dormem, de cada monumento histórico que encontram na frente. Ela vai os ensinar respeitar e amar incondicionalmente a natureza, e ter uma habilidade incrível de se enturmar com qualquer tipo de pessoa do mundo. Serão pessoas bem queridas onde quer que vão, se depender de vocês. Ah, e não se esqueça do cachorro(s).

Pense nela aos 60: mesmo sorriso, mesmas andanças. O que te atrair nela, provavelmente será pra sempre, invariável com o tempo. uma pessoa acumulou uma qualidade de experiências notória, e que a cada dia que passa se divertiu com menos, se aborreceu com quase nada. Já terá vivido tanta coisa por aí que será a atração dos netos de todas as idades, explicando o significado do quadro maia estranho na parede, e fazendo a dança indiana no casamento de um deles. Esse tipo de alegria nunca se apaga, só se prolonga, e se espalha a quem a cerca.

Namore uma menina que viaja. Se ela te escolher, acredite: já passou tanta gente pela vida dela, de longe, de perto, pouco tempo, muito tempo, e se ela te escolheu é porque ela realmente GOSTA de você. Sem inseguranças ou interesses, ela gosta de você e pronto. Deixe-a te carregar pela mão, durma no colo dela nas rodoviárias, delicie seu miojo de acampamento. Deixe o mundo ser apresentado a você, caso ainda não tenha sido, e veja como alguém pode, definitivamente, ser a chave da sua alegria.

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Saber cada vez mais para perceber que se sabe cada vez menos.

Zona de conforto. 

O Wikipedia me conta que : “Na psicologia, a zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e/ou comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. Nessa condição a pessoa realiza um determinado número de comportamentos que lhe dá um desempenho constante, porém limitado e com uma sensação de segurança. Segundo essa teoria, porém, um indivíduo necessita saber operar fora de sua zona de conforto para realizar avanços em seu desempenho – por exemplo no trabalho – eventualmente chegando a uma segunda zona de conforto.” 

A partir disso penso, 1ª zona de conforto deixada foi a monotonia Curitiba, Faculdade, Estágio, Formatura.

Aí vem o Porto. E todas as mil novidades, lugares, pessoas, tudo. Até que depois de um tempo, aqui também vira uma zona de conforto com esses ‘pensamentos e comportamentos que não causam nenhum tipo de medo’. Então é hora de sair mais uma vez. 

26 dias, 4 países, 8 cidades visitadas, 4 cidades-escala. 1 mochila. 10 kg.

1 amiga e companheira do ínicio ao fim. 1 irmã no início. 1 rommie do começo do meio ao fim. 1 surpresa do meio pro fim. 2 malucos em 3 dias que pareceram uma vida.

Fazer mochilão low cost significa abrir mão por completo da nossa Zona. Significa dormir em aeroporto. Significa depois de 10 minutos alojada já ter feito aquela tradicional favela  e espalhado tudo. Make yourself confortable. Passe pelos lugares e dê a sua cara a eles. O aeroporto de Budapeste bem sabe o que isso significa. Dica 1: Quando for dormir lá, vá para o segundo andar no terminal A2. Tem um banheiro reservado e um canto até que ok. Dica 2: Você não precisa pagar o ônibus que leva do aeroporto até a estação de trem central. Sim, se você perguntar ao motorista ele vai dizer que você precisa. Sim, existe um local para você validar o ticket. Mas não precisa, entende? Dentro da cidade você não pagará pelos ônibus e trans. Mas pague o metrô. De verdade, pague. Dica 3 : Fique mais do que dois dias por lá, Budapeste merece. 

Fazer mochilão low cost ensinou-me uma das coisas mais incríveis que já fiz na vida.  Couchsurfing. E se você não sabe o que é, por favor, abre agora uma aba aqui ao lado e pesquise, e mais, faça! Em Istanbul, acompanhada das duas lindas Jéssica e Lígia, pude redescobrir o Bem. Aquele que se faz por nada em troca. Na casa dos dois couchsurfing tivemos o conforto negado no aeroporto, sem pagar um dinheiro por isso. Mas o que valeu muito mais do que a economia, foi a experiência única de vivenciar uma Turquia que não está disponível para turistas. Uma Turquia que está começando a se revolucionar, que também está saindo da sua zona de conforto. Ao acaso (bela escolha Liginha) caímos na casa de um advogado de direitos humanos que está extremamente envolvido nos protestos de lá. Resumo? Tívemos aula. E a sala de aula da vida começa a passar ensinamentos que gravam com uma facilidade que nunca se viu na Santos Andrade. O que vi em Istanbul foi uma vontade de ajudar por parte dos turcos que não vi em lugar algum que já passei. Portanto, nota 1: A maioria, não fala inglês. Porém, isso só faz com que eles tentem ainda mais te auxiliar no que for preciso. Então você pode estar tentando pegar um ônibus as 22h sem nem saber falar o nome do lugar que você deseja ir e aí no mesmo ponto ter um senhor que não fale nem ônibus em inglês e ele pode andar com você 4 quarteirões para te levar ao lugar certo e esperar você e suas amigas entrarem e ainda ele ficará esperando até o ônibus sair. Apenas um detalhe: ele tinha um problema na perna e tinha uma grande dificuldade para andar. Nesse mesmo ônibus, você se dá conta de que não sabe em qual ponto tem que descer, então pergunta a dois turcos que nesse caso falam inglês e que vão te levar até onde você precisa sendo que a casa deles era para a direção contrária. E não, antes que você pense, eles não queriam nada, não tentaram nos ‘cantar’, não pediram contato, em nenhum momento demonstraram qualquer interesse que não fosse o de simplesmente nos ajudar. Dica 1: Não compre no Graan Bazar. Tudo lá é lindo, mas você encontra pela metade do preço nos comércios em volta. Dica 2: Escute quando o seu couchsurfing te disser isso… Dica 3: Coma Kenéfe – sim, baklava é o doce mais conhecido e também maravilhoso – mas prove Kenéfe. Dica 4: A Turquia tem o melhor queijo que eu já comi. E lá eu aprendi que carne de bode, tomate, muita pimenta, azeitonas e pão, fazem o melhor café da manhã do mundo. 

Vá para Istanbul. Não importa quando. Dê um jeito. É uma babilônia de prédios, trânsito maluco, mas tem algo de muito especial por lá. Talvez o que tenha a feito tão especial para mim, deva ter sido ir com duas pessoas maravilhosas. Que tem mapa apenas pra ter. Porque andamos para onde acharmos que o vento deve levar. Porque sim não sabíamos nomes de lugar algum, mas descobríamos com nossos pés as paisagens mais incríveis. Porque não havia stress em planejamento, simplesmente, porque não fizemos planejamento algum. Permitimos nos perder e nos achar quando algo no céu dizia que era preciso. 

Para o próximo destino, uma viagem de trem que foi a ficha caindo do sonho sendo realizado. Depois de passarmos todo o ano passado planejando o intercâmbio, de repente estávamos nós três, dentro de um trem, que só tinha malucos vindos de um festival, indo da Hungria para a Croácia. A paisagem é inesquecível. E aquele pôr-do-sol visto em pé no meio do bagageiro das malas já que não tinha lugar para sentar foi o mais emocionante da vida. Pras duas lindas: Vocês seriam presença obrigatória no meu barco de fim de mundo.

Outro agradecimento. A cidade que sua amiga escolheu para fazer Erasmus. Zagreb nunca estaria nos meus planos não fosse uma pequena (grande) pessoa. Obrigada Li. A sua cidade é tão linda e encantadora quanto você. Lembro de algo que você me disse quando veio ao Porto “Acho que cada um de nós escolheu a cidade que tem a nossa cara”. Pois Zagreb tem a sua! E lá mais do que uma cidade irada, tive a certeza – de novo – de que a vida é feita para compartilharmos os momentos com pessoas. E na fundição do Eu, vem um Eu coletivo e uma capacidade incrível de falar nada com nada por tempo indeterminado. Sem fazer a aba da aba da aba de pensamentos Li, mas é a metánalise mais divertida que pode existir.Dica 1: Lago Jarun – cuidado com os gansos. Dica 2: Aproveite para comer pizza. É barato e gigante. Dica 3: Tem um bar com cervejas caseiras que é divino, e você pode até encontrar um brasileiro tocando por lá ;) Dica 4: entre no clima dos croatas e não tenha pressa. 

Da Croácia para Montenegro. Trocam os personagens, ficando apenas a atriz fixa é claro, e novo capítulo na área. 4 meninas em busca de uma única coisa: Diversão. Pra variar, aeroporto no meio, e muita saga de ônibus. Dica 1: Nessa região nada tem na internet, você compra as passagens na hora e eles podem vender mais do que há de lugares disponíveis. Acostume-se. E chegue cedo. Ah eles cobram para levar malas no bagageiro. Dica 2: Não durma. Ainda que você esteja de ressaca ou cansado do aeroporto, fique acordado. As paisagens entre a Croácia e Montenegro são espetaculares.

Em Kotor suba as ruínas, a caminhada é cansativa mas a sensação de liberdade lá em cima é surreal. Em Budva faça festa. E saiba a localização da sua casa. Montenegro é um país lindo. E o brilho eterno de uma mente sem lembranças só me permite escrever isso.

O mochilão low cost te permite algo extraordinário. Você não reserva hotel em lugar algum, então você vai aonde você quiser e quando você quiser. Essa foi a nossa Costa da Croácia. Não, nós não fomos para os lugares mais conhecidos. Mas acho que sabemos muito bem o quanto aquela água do mar é transparente e calma, sabemos muito bem o preço de nectarinas e macarrão, e claro, os preços das cervejas. Quer descansar? Vá para Korcula. A ilha é sem palavras. Mesmo. Depois de recarregar as energias, próxima parada: Pag. A tal Ibiza da Croácia. Dica 1: vá com um pouco de dinheiro ou não a faça ser uma das suas últimas paradas. Dica 2: Lá e em todos os outros lugares da Croácia e de Montenegro você consegue achar apartamentos na hora em que chega nas cidades. Eles são muito bons e o preço muito mais em conta. 

Mochilão low cost é ir no mercado e não poder comprar quase nada. Querer comer alguma coisa boa, mas só poder comprar macarrão de 4 dinheiros. É tomar café da manhã com chá que você levou de casa e pão seco. E mais do que isso é não ligar pra isso. É ter uma noite repleta de gargalhadas com suas amigas por estar comendo a pior sopa da sua vida. É fazer desse momento da janta uma mesa de confissões de vida. De ajuda e companheirismo. Pra lembrar pra sempre. Que um dia você esteve jantando massa com espinafre sem gosto de nada, mas que as lembranças (ou a falta de) desse dia vão ser histórias contadas pros seus filhos. Helô, Thaís e Jé vocês são dEferentes. <3

E quando achei que tinha acabado, que já não havia mais forças e que era hora de voltar pra casa, vem um presente: Zadar. E aí vem o mar tocando piano. Não, não é uma metáfora. Lá existe um órgão que é tocado pelas ondas do mar. E tem um painel de luz que deixa os adultos mais bobos do que os ‘nenê’ andando atrás delas. Tem um pôr-do-sol que encerra a viagem das suas férias de verão europeu.

E ele te faz repensar em tudo que passou nesses dias, em todas as pessoas que vieram para ficar, em todos aqueles que passarem no seu caminho para te mostrar que você não está errado em seguir a lógica contrária. E de repente você entende a sua banda quando eles dizem: Eu levo a vida devagar para não faltar amor. Essa viagem serviu, acima de tudo, para mostrar que não basta ter o bem no coração. É preciso ter ele na cabeça pra colocá-lo em prática. Então abre a sua mente, a sua casa, e o faça por fazer. E a gratificação que você vai sentir não pode ser jamais descrita em palavras.

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